Nos dias 11 e 12 de outubro de 2026, a Tropa Sênior/Guia Charruas, do Grupo Escoteiro Caetés, realizou seu Acampamento de Seção no Santuário do Caaró, em Caibaté (RS). Foram dois dias de convivência, técnicas escoteiras, jogos, desafios, espiritualidade e superação, em uma atividade que também teve um significado especial para a história da Tropa, que encontrou naquele local parte importante de sua trajetória.
A aventura começou cedo no domingo, dia 11. Às 7h, os jovens reuniram-se na sede do Grupo Escoteiro Caetés e, graças às caronas solidárias organizadas pelos pais, partiram por volta das 7h30 em direção ao trevo de acesso a Caibaté e ao Santuário do Caaró. Os preparativos já vinham acontecendo havia uma semana, com os participantes organizando cardápios, equipamentos e materiais, divididos em duas patrulhas: a Patrulha Madagascar, formada pelos seniores Luiz, Mathias, Rafaela e Isabella, e a Patrulha Minuano, composta por Lorenzo, Amanda, Emilly e Gabriel.
A chefia responsável pelo acampamento foi formada pelo chefe Junior, chefe da Tropa, e pela chefe Bruna, contando ainda com a participação dos chefes convidados João e Xaiane, da Tropa Escoteira Guerreiros de Sepé, e do chefe Gabriel, do Grupo Escoteiro Liberdade. Também esteve presente a chefe Ana, que já atuou nos grupos escoteiros Caiboathê, atualmente extinto, Tapejara 023/PR e União. Embora atualmente não esteja em atividade como escotista, Ana aceitou o convite com entusiasmo e veio contribuir com sua experiência e disposição para fazer o acampamento acontecer.
Do trevo de acesso até o santuário, os participantes realizaram uma jornada de aproximadamente dois quilômetros. A caminhada foi leve e animada, acompanhada por diversas canções escoteiras puxadas pelo chefe Junior. Ao chegar ao destino, a Tropa cantava com entusiasmo: “Em todo lugar que eu ando, pessoas me perguntam, quem nós somos? De onde viemos? Nós somos a Tropa Sênior... Lá do Caetés!”. A chegada já demonstrava o espírito que acompanharia os jovens durante todo o acampamento.
Após a cerimônia da bandeira, as patrulhas iniciaram a montagem do campo, colocando em prática seus conhecimentos de pioneiria. Entre as estruturas obrigatórias estavam o fogão aéreo, necessário para a preparação das refeições, o portal de entrada do campo e o canto do lenhador, destinado à organização dos materiais relacionados ao trabalho com madeira. Cada patrulha precisou planejar e executar suas construções, dividindo responsabilidades e trabalhando em conjunto. Enquanto isso, uma representação da Tropa, formada pelo chefe Junior e pelo sênior Mathias, participou da missa das 10h. Além de professar sua fé, os dois aproveitaram a oportunidade para apresentar um pouco do que é o Movimento Escoteiro, divulgando o trabalho desenvolvido pelo Grupo Escoteiro Caetés.
Depois do almoço, a tarde foi dedicada a uma sequência de jogos e desafios preparados pela chefia, que se estendeu até as 18h. As atividades exigiram disposição, raciocínio, cooperação e espírito competitivo, proporcionando aos jovens momentos de diversão e aprendizado. Encerrada a programação da tarde com a cerimônia da bandeira, os participantes tiveram tempo para tomar banho, preparar o jantar e organizar as apresentações para o tradicional Fogo de Conselho. Com o tema “Histórias que vivi em acampamentos”, cada patrulha precisou exercitar a criatividade para elaborar sua esquete, além de preparar palmas e canções para compartilhar ao redor do fogo.
Com o cair da noite e após o jantar, chegou o momento de um dos grandes desafios do acampamento. Os jovens foram conduzidos até uma trilha em meio à mata fechada, onde enfrentariam a atividade conhecida como “Transamazônica”. O desafio consistia em percorrer um trajeto guiado por uma corda que avançava pela escuridão da floresta, com a Tropa caminhando unida, sem utilizar lanternas e procurando perceber o ambiente ao redor por meio dos demais sentidos. A proposta era trabalhar a confiança, a concentração, o autocontrole e a capacidade de enfrentar os próprios receios em um ambiente desconhecido. Após a participação dos jovens, outros chefes também passaram pelo percurso para vivenciar a experiência.
Todos conseguiram concluir o desafio, transformando o momento em uma importante conquista coletiva. Para aqueles que sentiam medo do escuro, de animais ou do que poderia existir em meio à mata, completar o percurso representou uma oportunidade de reconhecer seus limites e descobrir que, com preparação, confiança e apoio mútuo, é possível enfrentar situações que inicialmente parecem difíceis. Na sequência, a Tropa continuou pela trilha, dessa vez com lanternas, até completar o percurso pela mata.
Mas a noite ainda reservava outro momento especial. Mais tranquilos após o desafio, os jovens seguiram por outra trilha, acompanhados pelo chefe João, que conduziu o grupo com uma tocha. Em meio à escuridão, chegaram a uma clareira cercada por uma densa touceira de taquaras, que formava um cenário marcante para a realização do Fogo de Conselho. Sob o céu noturno e em meio à natureza, teve início uma das tradições mais significativas do Escotismo, reunindo os participantes em torno de canções, palmas, esquetes e momentos de descontração e reflexão.
O Fogo de Conselho foi marcado pela criatividade das patrulhas e pela participação de todos. As histórias, as risadas e as canções criaram um ambiente de fraternidade, fortalecendo os vínculos entre os jovens e os adultos voluntários. A noite encerrou-se com a emocionante Canção da Despedida, momento que reuniu a Tropa em um sentimento de união e gratidão pela experiência compartilhada. Depois disso, os participantes ainda tiveram um período livre para conversar e confraternizar, encerrando as atividades do dia por volta da meia-noite.
A segunda-feira, feriado de 12 de outubro, amanheceu fria. Os jovens organizaram o café da manhã e, durante a cerimônia da bandeira, receberam as primeiras eficiências do acampamento, representadas por tiras de couro que reconheceram os destaques em categorias como Melhor Canção do Fogo de Conselho, Melhor Esquete do Fogo de Conselho, Melhor Pioneiria e Jogo Noturno. A iniciativa valorizou o empenho das patrulhas e o desempenho dos participantes nas diferentes propostas da atividade.
Na sequência, a chefe Bruna conduziu o momento espiritual, oferecendo à Tropa uma oportunidade de reflexão e conexão com os valores que orientam a vida escoteira. Depois, os jovens participaram de mais uma rodada de jogos, mantendo o ritmo de atividades e desafios. Entretanto, a chuva chegou e exigiu uma nova adaptação da programação. As patrulhas precisaram reorganizar seus planos e iniciar a desmontagem do campo, cuidando dos materiais e das estruturas montadas no dia anterior.
Mesmo com a mudança no tempo, os trabalhos prosseguiram em clima de cooperação. Os jovens prepararam suas refeições junto à chefia, compartilhando tarefas e fortalecendo ainda mais a integração da Tropa. A experiência de cozinhar em conjunto, organizar o espaço e trabalhar diante das condições impostas pelo clima também fez parte do aprendizado, demonstrando que o espírito escoteiro se revela tanto nas grandes aventuras quanto nas responsabilidades cotidianas do acampamento.
Após o almoço, em meio à chuva, todos se reuniram para a última cerimônia da bandeira do acampamento, quando foram anunciados os resultados e entregues os reconhecimentos finais. Em uma disputa bastante equilibrada, a Patrulha Minuano sagrou-se campeã, superando a Patrulha Madagascar por apenas um ponto. O resultado demonstrou o empenho das duas equipes e coroou um fim de semana de participação, dedicação e espírito de patrulha.
Entre os reconhecimentos individuais, o destaque Sênior foi concedido à jovem Rafaela, em razão das diversas atitudes positivas demonstradas durante a atividade. Já o reconhecimento de Espírito Escoteiro foi entregue ao chefe Gabriel, do Grupo Escoteiro Liberdade, que veio de longe para participar do acampamento e se dedicou intensamente às atividades, compartilhando seu amor pelo Escotismo e contribuindo, inclusive, com boa parte da alimentação da chefia. Sua presença representou um belo exemplo de disponibilidade, fraternidade e serviço voluntário.
Encerrado o acampamento, a Tropa Sênior/Guia Charruas agradece imensamente ao padre Anderson Rebelo, responsável pelo Santuário do Caaró, pela acolhida e pela oportunidade de realizar a atividade em um local tão significativo. O agradecimento também se estende aos pais, que organizaram as caronas e ofereceram o suporte necessário para que os jovens participassem; aos chefes que dedicaram seu tempo, conhecimento e entusiasmo para proporcionar um fim de semana repleto de aventuras; e à Diretoria do Grupo Escoteiro Caetés, pelo apoio financeiro e organizacional. Acima de tudo, fica o reconhecimento aos jovens, que aceitaram os desafios, participaram ativamente e se permitiram viver intensamente cada momento do acampamento.
O Caaró, entretanto, representa muito mais do que o cenário desta aventura. Foi nesse mesmo local que, em 1989, a Tropa Sênior do Grupo Escoteiro Caetés foi reaberta, em mais um capítulo de sua história de idas e vindas. Retornar ao santuário para acampar, construir, cantar, superar desafios e fortalecer amizades é também reencontrar as raízes de uma trajetória que continua sendo escrita por novas gerações de escoteiros. Assim, entre a chuva, o fogo, as canções e os desafios da mata, a Tropa Charruas encerrou seu acampamento levando consigo novas histórias para contar e a certeza de que a aventura escoteira se constrói em conjunto. Sempre Alerta!
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