24 de fev. de 2026

Um olhar pessoal sobre a formação escoteira - Curso Avançado Sênior

Esta postagem é diferente, será uma opinião pessoal de minha vivência (chefe Junior Bieger) sobre o Curso Avançado Sênior, portanto, opiniões e falas aqui relatadas são de cunho pessoal e não representam a opinião do Grupo Escoteiro Caetés em geral. Se quiser saber apenas sobre o curso, pule para os parágrafos finais em negrito.


A formação de um escotista se dá por inúmeros fatores, para quem não sabe, um escotista é um adulto voluntário no escotismo, o famoso "chefe" escoteiro. A pessoa que ingressa neste voluntariado pode vir de diversas situações, ou já era jovem praticante do escotismo, ou foi convidado por alguém do escotismo, sem ter vivenciado ele como jovem, ou ainda, um pai que acompanha seu filho, tem ideia rasa sobre o movimento, mas não se aprofundou sobre. Independente do caso, qualquer pessoa que tenha pré-disposição para ser um educador, pode ser sim um voluntário dos Escoteiros do Brasil.


Logo que entramos na "chefia", nos é entregado um cargo no grupo, que pode ser ele, administrativo na diretoria, ou de ação, frente a frente com os jovens. E neste momento sempre é definido pela Diretoria do grupo, um adulto mais experiente para fazer um acompanhamento pessoal do novo voluntário. Este adulto é o Assessor Pessoal de Formação, ou APF, como chamamos. Desta forma, você passa a fazer parte de um sistema de "itens" chamados competências, tal como os jovens, o adulto também precisa adquirir suas competências de trabalho para melhorar e se aprimorar.


O adulto ingressa como voluntário e precisa fazer sua formação, através de 3 níveis que possuem 3 cursos como requisitos para seguir em frente, isso tudo parece muito complexo, mas fazendo parte do sistema, o entendimento vai se fazendo naturalmente. Após o adulto realizar sua formação preliminar, através dos primeiros requisitos e curso. Ele é convidado pelo seu assessor a iniciar os trabalhos do nível intermediário, que culmina na realização do curso intermediário. Fazer um curso, não significa terminar o nível, pois ele depende do olhar de seu assessor sobre suas competências pessoais, aquilo que você já é capaz de desempenhar no seu grupo, tropa ou diretoria.


Quando o APF entende que você adquiriu todas as competências para ser um chefe do nível médio, você recebe um "Arganél de Gilwell" preto. Trata-se de uma representação visual de que você atingiu aquele nível, um anel de lenço escoteiro trançado. Depois disso você inicia sua nova escalada, rumo agora ao ápice, ou assim imaginamos. Essa nova caminhada tem muitas tarefas e trabalho duro, até que você possa, enfim, participar do Curso Avançado, do ramo e linha da qual trabalha. Normalmente você não verá chefes escoteiros que já realizaram o curso avançado falando detalhes dele por ai, pois, diferentemente dos outros cursos, este tem um "temperinho" especial.


Agora vou relatar um pouco sobre mim, para enfim, você entender um pouco do que estou relatando. Fui lobinho com 10 anos por 2 meses, não tive a vivência da alcateia, fiz minha Promessa Escoteira nos anos 2000, no Salão de Festas da Capela Ferroviária, aqui em São Luiz Gonzaga, este momento é especial para qualquer escoteiro, seja ele alguém com 80 anos ou 6. Lembro-me de ser uma noite fria, lembro de estar nervoso, e que quando colocaram o lenço em meu pescoço, ele me esquentou, ele era um abraço de calor e foi assim daí para frente. Passei a ser sênior e como gostava muito do escotismo, permaneci até o Ramo Pioneiro, apesar de o Grupo Caetés andar a "duras penas" na época, permanecia, sentia que devia algo que recebi, precisava devolver o que havia sido me entregue durante os anos pelos chefes André e Ovídio.


Quando o grupo reabriu em 2011, não tive dúvidas, me tornei adulto voluntário, e isso sempre fez de mim alguém melhor. Fiz formação no ramo escoteiro até o nível intermediário e recebi de meu grande amigo o chefe Thiago (Coca) o meu Arganél de Gilwell. Tudo ia muito bem mas eu sentia que precisava de um desafio, foi então que minha companheira a Chefe Bruna, que aqui abro parêntesis (era escoteira, escotista formada pelo Grupo Medianeira de Santo Ângelo, e entendia muito bem como me sinto), me chamou para a aventura! E assim, fomos morar a 900km daqui, em Curitiba, sem ninguém por perto, nenhum conhecido, zero suporte próximo, "tínhamos que nos virar". E assim fizemos, propus que precisávamos buscar um grupo escoteiro, precisávamos refazer nossa comunidade pessoal, nossos links de apoio, novas amizades. E conhecemos muitos grupos, porém o que nos pegou pelo coração e nos construiu na alma algo especial foi o Grupo Escoteiro São Gaspar Bertoni, 124/PR, "um grupo de escoteiro, unidos por amor".


No São Gaspar formamos uma família, e por lá, precisei me reinventar, saí do Ramo Pioneiro, do qual estava auxiliando nos Caetés e fui para o desafio da minha vida, o Ramo Sênior, sem dúvidas uma experiência ímpar na minha vida. Quem me conhece sabe o quão pouco sou aventureiro, sou uma pessoa do planejamento e normalmente desisto fácil, caso a coisa seja muito complexa. Assim na Tropa Kailash, formamos amigos, chefe Evaldo e toda sua família, chefe "Jô" e toda sua família, chefes Marcius e Gi, chefe Cris, sem falar nos chefes dos outros ramos que sempre nos deram muito suporte e aos quais somos gratos com todo nosso coração.


No Paraná, aprendi outro escotismo, pois, em cada região que vamos as coisas são diferentes para o bem e para o mau, mas acredito que soube selecionar o bom de toda minha vivência para fazer em mim o chefe que gostaria de ser. Sem falar que aprendi muito mais no escotismo com os jovens que tive a oportunidade de orientar, do que com os adultos em geral.


No São Gaspar me formei no Intermediário do Ramo Sênior no Campo Escola Escoteiro de Bateias, um lugar lindíssimo e cheio de "aura". Neste curso tomei minhas primeiras quebras de expectativa e aprendi muito! Recebi logo depois do chefe Evaldo meu novo Arganél de Gilwell, significando agora que no ramo sênior eu era intermediário. E assim permaneci durante toda a pandemia.


Retornamos a São Luiz Gonzaga, muitas coisas aconteceram e fiquei 2 anos fora do escotismo, eu precisava desse tempo para "digerir" tudo. No centenário dos Escoteiros do Brasil, fui convidado a desfilar como veterano do grupo. Bastou um momento e já estava dentro. Auxiliei no Acantonamento Distrital de Lobinhos realizado pelos Caetés e suavemente fui voltando, como então Mestre Pioneiro.


Agora um paragrafo sobre o Ramo Pioneiro, sou completamente apaixonado pelo Ramo Pioneiro, é um lugar de amor, os jovens são poucos mas unidos e carinhosos, os chefes entendem uns aos outros, é um lugar que de tão raro, as pessoas se juntam, unem e se abraçam. Não existe alguém que passe por uma vivência plena pioneira, por uma vigília bem feita que não chore e tenha extrema saudade. Eu ainda serei formado neste ramo!


Voltando a Sênior, veja bem, eu não tenho ao meu ver perfil de chefe sênior, mas por isso mesmo eu tenho! O chefe sênior, o sênior e a guia, precisam vencer seus próprios desafios, eles precisam superar todo dia as adversidades com um sorriso no coração e o espírito escoteiro na mente. Por isso, eu resolvi me desafiar novamente. Eu finalizaria minha formação de chefe sênior, pois pretendo sempre continuar aprendendo e me superando. E em janeiro deste ano me inscrevi no Curso Avançado Sênior, que seria parte online e parte presencial, quatro dias desafiadores!


Agora sim, depois de tudo isso, vou fazer meu relato do curso: Está sendo transformador e intenso. Iniciamos em janeiro a parte online, e por mais dúvidas que tive, haviam muitas coisas que eu já conhecia, por ter um tempo de escotismo, mas surpreendentemente havia conteúdos que me abriram os olhos, tais como uma UD (unidade didática) sobre saber conversar e ouvir os jovens, fui lendo e aprendendo e percebi que em minha vida eu tenho um defeito muito grande, eu não sei ouvir verdadeiramente as pessoas. Foi um "abrir de olhos para mim". Eu converso muito, mas escuto pouco e o pouco que escuto eu percebi que não dou a atenção que as pessoas merecem de mim. Eu fui para a parte presencial com isso em mente, vou me desafiar a escutar e escutar ativamente, tenho que ser empático para melhorar como pessoa e como chefe escoteiro.


A formação de Tropa e de Patrulhas vai se dando de forma natural, inicialmente eu achei que mesmo com grupos de whats e encontros semanais online, não conseguiríamos criar vínculos reais, apenas temporários, mas, sem percebemos vamos sendo contagiados uns pelos outros, afinal somos todos escoteiros. Após momentos de decisões online e reuniões de patrulha o espírito foi aparecendo, estávamos sendo formados como equipe. Todas nossas realidades diversas foram começando a girar para o mesmo lado e parecíamos uma engrenagem pronta para a parte presencial do curso, é realmente mágico.



O curso presencial é uma mistura de sentimentos, primeiramente preciso falar da minha patrulha, a Mbyá, somos seis chefes de realidades totalmente diferentes e agora estamos totalmente ligados, mais que irmãos, é como se tivéssemos crescido juntos, durante todos os quatro dias fomos amigos de infância, onde nos entendíamos apenas pelo olhar, eu realmente não sei como isso ocorreu, mas sim, ocorreu, e preciso falar, chefes Isa, Ariadne, Arthur, Daltoé e Leo, acho que formamos uma patrulha real. Nunca vou esquecer da chefe Ariadne sempre falando dos seus lobinhos e da sua experiência como bandeirante, o chefe Daltoé com todos seus apetrechos e com convicção forte em vencer a jornada, o chefe Arthur com suas falas sábias e nós "maneiros", o garbo do escoteiro nunca será esquecido, a chefe Isa, com sua experiência junto de seu filho na tropa e com as deliciosas refeições preparadas, e por fim o chefe Leo, que, sempre me falou e perguntou sobre o Ramo Pioneiro, pois, talvez não havia vivido-o plenamente, em certo momento em que ficamos sozinhos ao levar as taquaras, ele encontrou uma "forquilha" perfeita, e eu senti naquele momento que precisava falar pra ele: Chefe, esta forquilha no nosso Campo Escola Escoteiro, ela era pra ser sua, esse momento era sua finalização como pioneiro, eu estava com ele, um Mestre Pioneiro, falei pra ele, leva ela contigo, faz dela um símbolo da tua trajetória no ramo e como chefe Sênior, valorize sempre o próximo ramo. Foram momentos assim que estão me transformando dentro do escotismo novamente.



O curso no geral é desafiador como deve ser, são desafios pessoas e em tropa que devem ser superados, e pessoal digo, vencer a Jornada de 12,5km, na chuva e com mochila pesada foi marcante para mim, quando cheguei no local de pernoite, pouco me importou o fato de estar com todas minhas roupas molhadas, eu estava extremamente feliz e só me senti feliz até o fim. Nunca pensei que seria capaz, mas fui, como muitos outros foram. E todo o cansaço nem existe mais depois de algumas vitórias acumuladas.



Claro que o curso em si tem muito aprendizado, mas todas essas informações sem um fundo de mágica de nada vale e a "mística" do curso da sênior é real e muito bem pensada. Ela entra na mente e vai aumentando cada momento. Não é meu papel relatar a mística, meu papel é incentivar a cada um participar dela, pois como disse o chefe: Não tem como explicar o frio para alguém que nunca o sentiu, só sentindo para saber e assim é com o curso.




Poderia ficar muito tempo aqui relatando os detalhes, mas eles são pessoais e intransferíveis, recomendo que crie os seus. Agradeço muito ao Caetés por ter me proporcionado esta formação, que ainda está em andamento, aos nossos chefes formadores, que não vou citar todos, apenas a chefe Estela Seifert como representante deles. E agora, com um novo desafio, o de chefiar nossa Tropa Sênior, darei tudo de mim. Sempre Alerta!


9 de fev. de 2026

CAETÉS NA MÍDIA: Conquista do Padrão Ouro repercute na imprensa local

Em entrevista à Rádio São Luiz, a chefe Cláudia Golz, diretora-presidente do Grupo Escoteiro Caetés, destacou que a conquista do Grupo Padrão Ouro é resultado de um trabalho coletivo, planejado e feito com dedicação ao longo de todo o ano. Ela ressaltou a qualidade das atividades educativas, o empenho dos jovens, a formação constante dos voluntários e a organização do grupo como fatores decisivos para alcançar esse reconhecimento nacional. Segundo Cláudia, mais do que cumprir metas, o Caetés buscou viver o Escotismo em sua essência, com protagonismo juvenil, espírito de equipe e compromisso com a comunidade.

Confira a matéria na íntegra no site da Rádio São Luiz clicando aqui. 

Escute a entrevista na íntegra abaixo. 


30 de jan. de 2026

Orgulho Caetés: Somos Grupo Padrão Ouro!

O Grupo Escoteiro Caetés tem um novo motivo para se orgulhar: conquistamos a certificação Grupo Padrão Ouro, um dos mais altos reconhecimentos concedidos aos grupos escoteiros do Brasil. Essa conquista demonstra que nosso trabalho está alinhado às melhores práticas de gestão, formação de jovens e aplicação do Método Escoteiro, refletindo o esforço conjunto de chefes, dirigentes, jovens e famílias ao longo de todo o ano. Ser Grupo Padrão Ouro significa ir além do básico, é mostrar, na prática, que fazemos Escotismo com qualidade, responsabilidade e impacto positivo na comunidade. 

A certificação Grupo Padrão é baseada em um sistema de pontuação nacional que avalia diversos aspectos da vida do grupo escoteiro. Entre eles estão a aplicação do Método Educativo, a qualidade das atividades realizadas, a formação dos adultos voluntários, a participação juvenil, a boa governança e a organização administrativa. Todas essas ações precisam ser registradas no sistema oficial (PAXTU), com comprovações como fotos e documentos, passando ainda por fases de análise e validação antes do resultado final ser homologado pelo Escritório Nacional dos Escoteiros do Brasil. 

Para alcançar a categoria Ouro, o grupo precisa atingir uma pontuação elevada, resultado de um trabalho equilibrado em várias áreas estratégicas, como atividades ao ar livre, projetos comunitários, eventos nacionais e regionais, crescimento do efetivo, comunicação, parcerias e capacitação contínua dos voluntários. Não se trata de uma única atividade de destaque, mas de constância, planejamento e compromisso com a proposta educativa do Movimento Escoteiro durante todo o ano-base avaliado. Cada reunião, acampamento, projeto social e curso de formação contou pontos nessa caminhada. 

Essa conquista é coletiva. O distintivo de Grupo Padrão Ouro que passará a fazer parte da nossa história simboliza o empenho de cada jovem que viveu intensamente suas atividades, de cada chefe que se dedicou à formação e segurança dos membros, e de cada família que acredita no poder transformador do Escotismo. Seguimos firmes no propósito de formar cidadãos ativos, responsáveis e comprometidos em construir um mundo melhor, agora com o reconhecimento nacional de que estamos no caminho certo.