5 de mai. de 2026

Entre Nós Diário 06 | Construindo mais do que acampamento (Parte 1)

No dia 02/05, iniciamos mais um acampamento de 1 pernoite, com início às 8h40 em uma propriedade mais afastada, seguindo até a manhã do dia 03/05. Assim que chegamos, descarregamos os materiais e formamos para a cerimônia de bandeira. Em seguida, começamos a montagem de campo: limpeza do local, organização dos espaços, montagem das barracas e preparação do fogo — tudo dentro do padrão.

Com o campo estruturado, partimos para o almoço, que foi arroz com calabresa — apesar de eu ter “roubado” um pouco da galinhada dos chefes. Depois da refeição, tivemos um tempo de integração. Aproveitei para procurar uma banderola — para minha futura patrulha — junto com o Chefe Júnior e a Chefe Bruna, eles até acharam uma, mas eu deixei pra procurar a minha de novo depois. Ao retornar, participamos de algumas atividades simples; uma delas foi a criação de um boneco, fizemos um de palha, — a “Morgana” —, que rendeu bons momentos e um divertimento para o grupo.

Um ponto interessante do acampamento foi a disposição dos espaços, o acampamento dos chefes ficava ao lado do nosso, separado apenas por um pequeno córrego. Para atravessar, era necessário dar uma volta considerável. A partir disso, tive a ideia de construir uma ponte. Trabalhei nisso com o Chefe Rodrigo ao longo do dia, e o resultado ficou muito bom — encurtou bastante o trajeto e facilitou a circulação entre os espaços.

Encerrando essa primeira parte do dia, iniciamos a preparação da janta, que foi salchipão. O Luiz assou, e ainda depois, fizemos um chocolate quente, porque taava frio. No geral, foi um momento simples, mas muito bem aproveitado, mantendo o clima de integração e colaboração entre todos.

Por Lorenzo Ferraz - Sênior da Tropa Charruas 

4 de mai. de 2026

3º Desafio Noturno Charruas, Integração, Desafio e Superação.

No último final de semana, dias 02 e 03 de maio de 2026, ocorreu, na propriedade do casal Beto e Rose, a 9 km de São Luiz Gonzaga pela RS-168, o 3º Desafio Noturno Charruas, um acampamento da Tropa Sênior/Guia Charruas em sua essência mais raiz.

Às 8h da manhã de sábado, os jovens da tropa e a chefia reuniram-se na casa do chefe Rodrigo para saída ao local. O deslocamento ocorreu com veículos da chefia e de pais de apoio. Às 8h30min, todos chegaram à estrada de acesso, de onde iniciaram uma jornada com mochilas até o ponto de acampamento. A estrada estava embarrada, aumentando a dificuldade, mas a previsão indicava tempo firme e frio, condições ideais para uma vivência rústica.

Ao chegar ao acampamento, foi realizada a cerimônia da Bandeira, oficializando a abertura das atividades. Em seguida, os jovens foram liberados para a montagem do campo. Enquanto o chefe Rodrigo e a chefe Junara assessoravam na organização e estrutura da cozinha, os chefes Junior e Bruna saíram para montar o percurso de Gilwell, que seria o desafio noturno.

Neste dia também foi apresentado e assumido o compromisso com o novo Grito de Tropa, um marco importante na construção da identidade do grupo:

Líder: Nação
Todos: CHARRUAS!
Líder: Tropa
Todos: SÊNIOR
Líder: Nação
Todos: CHARRUAS!
Líder: Tropa
Todos: GUIA

(Todos pulando...)
Caça, ataca, impõe o seu valor,
não tem medo da morte, a tropa é o próprio terror!
Tropa Sênior tá ativa, tropa Sênior é demais!
Tropa Sênior foi a cavalo, foi caçar o Satanás!
O pampa é minha casa, somos Charruas Caetés,
quem mexe com a tropa vai sentir a força dos Pajés!

Seguindo o dia, os jovens iniciaram o preparo do almoço. A cozinheira Emilly recebeu orientações do chefe Rodrigo, enquanto o sênior Lorenzo construía uma ponte de acesso ao acampamento da chefia e os demais montavam suas barracas.

Após o almoço, todos se reuniram na Bandeira para uma série de desafios, alinhados com a ênfase do ciclo, Integração. No primeiro desafio, deveriam levantar-se sem tocar o chão com as mãos, utilizando apenas uma taquara. Foi necessária estratégia e organização, e ao final conseguiram cumprir a tarefa com sucesso.

O segundo desafio consistia em percorrer o caminho até o acampamento em fila, vendados. O submonitor não podia falar, apenas guiar com toques nos ombros, repassados pela patrulha até a monitora. Após alguns percalços, chegaram ao destino.
Outro desafio envolvia desatar um nó coletivo sem soltar as mãos, o que também foi superado, demonstrando evolução na confiança e cooperação.


O último desafio, e talvez o mais criativo, foi a criação de um novo integrante da patrulha. Utilizando elementos naturais como palhas, galhos, sisal, flores e “olhos” de coco de ovelha, surgiu Morgana, uma personagem peculiar que rapidamente foi adotada pelo grupo, rendendo muitas risadas.

A tarde seguiu ao redor das fogueiras, com conversas e momentos de aprendizado, incluindo a demonstração de diferentes tipos de fogueira e suas utilidades. Após o lanche, o grupo explorou a mata local, uma floresta ciliar às margens do Rio Pirajú, que estava alto e turvo devido às chuvas recentes.

Ao anoitecer, foi preparado um churrasco com salchão e o clássico “PL”, pão com linguiça. Também deixaram pronto um chocolate quente para o retorno do desafio noturno.

Às 20h, a patrulha foi reunida para orientações sobre bússola, mapa, azimute e contagem de passos. Em seguida, todos se deslocaram até o ponto inicial, a ponte sobre o Rio Pirajú, para iniciar a Pista de Orientação com Percurso de Gilwell, de aproximadamente 2 km.

A noite estava clara, iluminada por uma bela lua cheia. A dificuldade era alta, mesmo de dia o percurso já exige bastante técnica. Os jovens avançaram bem, mas em determinado ponto encontraram dificuldades e, conforme combinado, retornaram ao acampamento.

Ao redor do fogo, compartilharam erros, aprendizados e vivências, acompanhados de marshmallows e chocolate quente. Em seguida, refletiram sobre o item 39 da progressão, discutindo o significado da Lei e Promessa Escoteiras e sua aplicação no dia a dia. Foi um momento profundo e participativo.

A noite foi fria, com temperatura chegando a 8°C. Pela manhã, às 7h30min, os jovens já buscavam calor junto à fogueira. Foi realizado um café comunitário, aproveitando sobras de carne com ovos para preparar uma omelete, acompanhada de pão e café.

Após o café, retornaram ao ponto onde haviam parado na noite anterior e concluíram o percurso de orientação, desta vez sem dificuldades, com apoio das explicações da chefia. O trajeto finalizava em uma casa abandonada, de aspecto “macabro”, que acabou sendo explorada com entusiasmo.

De volta ao acampamento, a chefe Bruna conduziu um momento de espiritualidade ao redor do fogo. Os jovens representaram suas dificuldades com nós, compartilharam sentimentos e, ao desatá-los, simbolizaram superações. Foi um momento intenso, fortalecendo vínculos e encerrando o ciclo de integração.

O encerramento contou com um delicioso galeto com arroz e maionese, preparados pela chefe Junara, pelo chefe Rodrigo e com o importante apoio do auxiliar Joca.

Após a Bandeira final, às 13h30min, ficaram os agradecimentos, a energia renovada e o entusiasmo para o restante do ano.

A Tropa Charruas agradece ao casal Beto e Rose pela cedência do espaço, à Diretoria do Grupo Caetés pelo apoio, aos jovens pela dedicação e espírito de equipe, e à chefia, que não mediu esforços para proporcionar uma atividade verdadeiramente raiz, repleta de integração e alegria.

Sempre Alerta!

30 de abr. de 2026

Entre Nós Diário 05 | Acantonamento celebrativo, liderar e cooperar (Parte 2)

E então chegou a hora do fogo de conselho — tivemos que fazer com uma lâmpada —. Os chefes nos organizaram e, já em um clima noturno, seguimos em fila indiana até formar a roda. Dessa vez, o fogo teve um diferencial: a alcateia foi convidada a participar, o que tornou o momento ainda mais especial. Eles apresentaram um poema incrível, e em seguida, apresentaram as tropas que começaram com as esquetes todas muito divertidas, algumas até com um toque de ironia. No final, fizemos a canção da despedida enquanto começava uma leve garoa, o que trouxe um clima ainda mais marcante para o momento.

Depois disso, retornamos ao pavilhão e tivemos um tempo livre para nos organizarmos para dormir. Aproveitei esse tempo junto com a guia Emilly para fazer uma escultura de argila, relacionada a um item de progressão, além de conversar um pouco com os chefes antes de descansar.

Na manhã seguinte, acordamos às 7h, tomamos café e seguimos para uma atividade de espiritualidade conduzida pela Chefe Nani. Durante esse momento, ela destacou como as palavras têm peso na vida das pessoas, reforçando a importância de pensar antes de falar. Após isso, fizemos uma pequena jornada até a sede para o encerramento.

Chegando lá, formamos uma meia-lua para a cerimônia final, onde foi anunciado o patilhão vencedor das atividades. A cerimônia já estava sendo marcante, mas ainda guardava uma surpresa: a escoteira Isa conquistou a Lis de Ouro. A homenagem foi inesperada tanto para ela quanto para o restante do grupo, o que tornou o momento ainda mais emocionante. Houve discursos dos chefes e dela também, fechando com muita emoção. Em seguida, arriamos as bandeiras, fizemos o grito do grupo e encerramos as atividades às 11h30.

Esse acampamento foi mais do que uma simples comemoração. Foi uma demonstração da importância da união de um grupo como um todo, dando espaço para que diferentes pessoas assumam responsabilidades e desenvolvam liderança. Também reforçou a motivação e o propósito de buscar evolução constante, seja através de especialidades, insígnias ou distintivos.

Como escoteiro — e com o que aprendi nesse acantonamento, — falo que, o que transforma uma pessoa não são suas conquistas, é o caminho percorrido.

Por Lorenzo Ferraz - Sênior da Tropa Charruas