30 de abr. de 2026

Entre Nós Diário 05 | Acantonamento celebrativo, liderar e cooperar (Parte 2)

E então chegou a hora do fogo de conselho — tivemos que fazer com uma lâmpada —. Os chefes nos organizaram e, já em um clima noturno, seguimos em fila indiana até formar a roda. Dessa vez, o fogo teve um diferencial: a alcateia foi convidada a participar, o que tornou o momento ainda mais especial. Eles apresentaram um poema incrível, e em seguida, apresentaram as tropas que começaram com as esquetes todas muito divertidas, algumas até com um toque de ironia. No final, fizemos a canção da despedida enquanto começava uma leve garoa, o que trouxe um clima ainda mais marcante para o momento.

Depois disso, retornamos ao pavilhão e tivemos um tempo livre para nos organizarmos para dormir. Aproveitei esse tempo junto com a guia Emilly para fazer uma escultura de argila, relacionada a um item de progressão, além de conversar um pouco com os chefes antes de descansar.

Na manhã seguinte, acordamos às 7h, tomamos café e seguimos para uma atividade de espiritualidade conduzida pela Chefe Nani. Durante esse momento, ela destacou como as palavras têm peso na vida das pessoas, reforçando a importância de pensar antes de falar. Após isso, fizemos uma pequena jornada até a sede para o encerramento.

Chegando lá, formamos uma meia-lua para a cerimônia final, onde foi anunciado o patilhão vencedor das atividades. A cerimônia já estava sendo marcante, mas ainda guardava uma surpresa: a escoteira Isa conquistou a Lis de Ouro. A homenagem foi inesperada tanto para ela quanto para o restante do grupo, o que tornou o momento ainda mais emocionante. Houve discursos dos chefes e dela também, fechando com muita emoção. Em seguida, arriamos as bandeiras, fizemos o grito do grupo e encerramos as atividades às 11h30.

Esse acampamento foi mais do que uma simples comemoração. Foi uma demonstração da importância da união de um grupo como um todo, dando espaço para que diferentes pessoas assumam responsabilidades e desenvolvam liderança. Também reforçou a motivação e o propósito de buscar evolução constante, seja através de especialidades, insígnias ou distintivos.

Como escoteiro — e com o que aprendi nesse acantonamento, — falo que, o que transforma uma pessoa não são suas conquistas, é o caminho percorrido.

Por Lorenzo Ferraz - Sênior da Tropa Charruas

89 anos de Caetés, uma história feita de pessoas e sentimentos


No último fim de semana, dias 25 e 26 de abril de 2026, ocorreu no Pavilhão da Agricultura Familiar e no Parque de Exposições de São Luiz Gonzaga o Acampamento de Aniversário de 86 anos do Grupo Escoteiro Caetés. No dia 25 de abril de 1937 foi fundada, por Inocêncio Alves Pedroso, o saudoso chefe Pery, a Tropa de Escoteiros Caetés, motivo pelo qual comemoramos em grande estilo.

A atividade precisou ser adaptada devido ao tempo chuvoso, inicialmente teríamos o nosso Pedal Escoteiro, que sairia da Praça Cícero Cavalheiro, antiga Praça da Lagoa e local de atividades dos Caetés nos anos 40, seguindo até a atual sede do grupo, onde iniciaríamos o acampamento. No entanto, as fortes pancadas de chuva exigiram mudanças, o pedal foi adiado para uma nova data oportuna e o acampamento transformou-se em acantonamento.

Iniciamos com a Cerimônia da Bandeira, momento em que nossa presidente, chefe Cláudia, destacou em suas palavras a importância de cada pessoa que, de forma voluntária, contribuiu para que o grupo chegasse até aqui. Aproveitamos também para realizar a cerimônia de passagem da lobinha Ana Luiza da Rosa Batista, que neste dia especial tornou-se escoteira da Tropa Guerreiros de Sepé. Houve ainda entregas de progressão nas tropas Escoteira e Sênior, com destaque para a integração do jovem Lorenzo, que concluiu seu período introdutório e recebeu seu arganel sênior.

Após a cerimônia, os ramos se dividiram. Estava prevista a montagem de campo, porém, devido à adaptação da atividade, os chefes conduziram programações específicas para cada seção. Os lobinhos foram ao parque, onde realizaram diversas atividades e jogos. A Tropa Escoteira participou de um desafio de nós e de cooperação em grupo, enquanto a Tropa Sênior teve um momento de conversa sobre relacionamentos, sexualidade e dilemas da idade. Já o Clã Pioneiro aproveitou para estreitar laços e promover integração entre seus membros.

Ao meio-dia foi servido um delicioso arroz carreteiro, preparado com o apoio dos pais, que estão sempre presentes e dispostos a colaborar, a eles fica nosso agradecimento por abraçarem a atividade. Às 14h iniciaram as bases, com os jovens organizados em patilhões, uma mistura de matilhas com patrulhas, promovendo integração entre todos. Foram formadas as patilhas Pumamels, Macaco, Dentes de Sabre, Tormenta e Feijão com Farinha.

As bases foram planejadas para resgatar a história do grupo e, ao mesmo tempo, desafiar habilidades físicas, intelectuais e de trabalho em equipe dos jovens. A Base 1, com o chefe Coca, chamada Caça ao Tesouro Natural, propunha uma busca por elementos da natureza organizados em diferentes níveis de dificuldade, exigindo atenção, estratégia e cooperação, além de resgatar uma atividade tradicional já realizada em acampamentos antigos dos Caetés. A Base 2, Nossa Linha do Tempo, conduzida pelas chefes Nani e Junara, trouxe um importante momento de conexão com a história do grupo, onde os participantes, diante de um painel com diversos marcos, precisavam relacionar corretamente acontecimentos e anos, estimulando memória, raciocínio e conhecimento institucional.

Já a Base 3, Código Secreto, organizada pelos chefes Junior e Rafa, desafiou o raciocínio lógico e a persistência dos jovens, que, um a um, precisavam escolher chaves entre várias opções até encontrar a correta para abrir um cadeado, revelando um código que, ao ser decifrado, levava a uma passagem da história do grupo. A Base 4, Um Troféu Especial, conduzida pelos chefes Cláudia e Rodrigo, incentivou a criatividade e o espírito de cooperação, com a construção de uma mini pioneiria no formato do símbolo do grupo, que posteriormente seria entregue a outra patrulha, reforçando valores de reconhecimento e fraternidade. Encerrando o circuito, a Base 5, aplicada pelos chefes Ander e Lia, trouxe um percurso com obstáculos em que os jovens, organizados em duplas e amarrados, precisavam avançar juntos superando desafios físicos e, ao longo do trajeto, identificar informações corretas entre alternativas, exercitando confiança, comunicação e tomada de decisão em equipe.

Às 16h30min foi servido um lanche especial com salgadinhos, cachorro quente e um belo bolo de aniversário, seguido de fotos e um momento de celebração pelos 89 anos do grupo, repleto de carinho e emoção. Após a confraternização, houve nova divisão entre os ramos. Os lobinhos acompanharam a entrega de um presente à Raksha, chefe Cláudia, confeccionado pelo chefe Rafa. Os escoteiros tiveram tempo livre e a Tropa Sênior auxiliou os jovens Emilly e Lorenzo em seu projeto de composteira para a Insígnia Tribo da Terra. Também foram organizadas as filas para banho, iniciando pelos lobinhos, seguidos dos escoteiros e, por fim, seniores e pioneiros.

À noite, após o jantar, que contou com um delicioso strogonoff, iniciou-se o jogo noturno organizado pelo chefe Rodrigo. A proposta envolvia exploração e organização em grupo, considerando diferentes idades e habilidades. Os participantes deveriam localizar uma bomba escondida antes do horário estipulado, utilizando apenas uma lanterna por patilha. Após 26 minutos de busca, a Patilha Dentes de Sabre encontrou e desarmou o objeto, vencendo o desafio.

Às 23h teve início o Fogo de Conselho, que, devido ao local, precisou ser adaptado para uma lamparada, realizada no deck da Expo São Luiz, um espaço especial de onde se podia contemplar parte da cidade, tornando o ambiente ainda mais acolhedor. Com o tema voltado à história do grupo, cada seção preparou sua esquete com muito cuidado e dedicação. Os lobinhos deram início ao momento com um poema emocionante, recitado em partes pela Akelá Milena, em que cada trecho conduzia a narrativa da trajetória dos Caetés e convidava uma nova seção a participar, criando uma ligação simbólica entre passado e presente. O chefe Coca trouxe um momento já tradicional e muito aguardado, animando a todos com a canção da Família Sapo, que nunca pode faltar.

Os escoteiros apresentaram uma criativa esquete sobre o dia da fundação, encenando uma viagem ao passado por meio de um “buraco de minhoca”, onde puderam contar ao fundador que o grupo, iniciado lá atrás, havia se tornado um grande sucesso. Os seniores trouxeram leveza e muitas risadas ao encenar, em forma de paródia, a descida de rio realizada no ano anterior, destacando de forma divertida a situação do sênior Luiz, que enfrentava dificuldades para remar enquanto o barco girava sem parar. Já o Clã Pioneiro apresentou uma história mais recente, vivida no próprio acampamento, relembrando o momento em que Anna Laura se tornou a “caçadora de ratos” e Antunes interpretou o próprio rato, em uma encenação descontraída e cheia de risadas. Foram apresentações marcadas por criatividade, humor e emoção, que certamente ficarão guardadas na memória de todos. O momento foi encerrado com a tradicional canção de despedida, sob uma leve garoa que parecia tornar tudo ainda mais especial, como um verdadeiro presente do fundador, encerrando a noite com sentimento de união e gratidão.

No domingo, a alvorada aconteceu às 7h, marcando o início de mais um dia de atividades. Após os cuidados de higiene e o café da manhã, todos se reuniram para um momento especial de espiritualidade, conduzido pela chefe Nani. Em um ambiente de silêncio e atenção, ela convidou os jovens à reflexão sobre o poder das palavras e a responsabilidade que cada um carrega ao se expressar, seja com amigos, familiares ou até mesmo com pessoas que pouco conhecemos. Suas palavras trouxeram uma mensagem profunda sobre respeito, empatia e o cuidado que devemos ter para que nossas atitudes não causem dor ao outro.

Para tornar esse ensinamento ainda mais significativo, foi realizada uma dinâmica marcante. A chefe apresentou um pedaço de madeira, com suas características naturais, aparentemente firme e íntegro, e pediu que alguns jovens fixassem pregos nela, representando palavras negativas, apelidos ou ofensas que, muitas vezes, são ditas sem pensar. Aos poucos, a madeira foi sendo marcada, simbolizando como cada palavra pode ferir alguém. Em seguida, os pregos foram retirados, e então ficou evidente que, mesmo após sua remoção, permaneciam os buracos, cicatrizes difíceis de apagar. A comparação foi imediata e tocante, mostrando que, embora possamos pedir desculpas, as marcas deixadas por palavras duras podem permanecer por muito tempo no coração de quem as recebe.

Foi um momento de grande sensibilidade e aprendizado, em que muitos puderam refletir sobre suas próprias atitudes e a importância de cultivar palavras que construam, acolham e fortaleçam. Encerrando a atividade, ficou a mensagem de que cada um tem o poder de escolher como se comunicar e que, assim como uma palavra pode ferir, ela também pode ser instrumento de cuidado, amizade e transformação.

Em seguida, foi realizada uma pequena jornada até a sede do grupo, um trajeto simples, mas carregado de significado, que reforça o sentimento de pertencimento e união, já que aquele espaço representa, para muitos, uma verdadeira segunda casa, repleta de histórias, aprendizados e momentos inesquecíveis. A caminhada foi marcada por conversas, risadas e pela satisfação de mais uma atividade vivida em conjunto. Na chegada, todos se reuniram para o registro da foto oficial dos 89 anos, eternizando em imagem um momento tão especial da trajetória do Grupo Escoteiro Caetés.

Logo após, teve início a cerimônia de premiação, outro momento aguardado pelos jovens, carregado de reconhecimento e valorização do esforço coletivo. A Patilha Dentes de Sabre foi a grande vencedora do acampamento, recebendo o troféu e as medalhas, resultado de um trabalho em equipe consistente, marcado por dedicação, organização e espírito escoteiro. Além disso, ocorreu a troca dos troféus confeccionados na Base 4, gesto simbólico que reforçou a integração e respeito entre as patrulhas.

Ainda durante esse momento, houve um reconhecimento especial dentro da Alcateia. A Akelá Milena realizou a entrega de um presente à lobinha destaque do acampamento, valorizando sua participação, empenho e vivência dos valores escoteiros ao longo da atividade. Foi um instante de carinho e incentivo, que reforçou a importância de reconhecer atitudes positivas, fortalecendo ainda mais o espírito de grupo e a motivação dos jovens.

Por fim, a chefe Nani posicionou-se à frente de todos e iniciou a leitura de uma carta misteriosa, que falava sobre os desafios enfrentados ao longo das jornadas e sobre o verdadeiro valor das conquistas alcançadas com esforço, dedicação e perseverança. Aos poucos, o clima foi se tornando ainda mais especial, despertando a atenção e a emoção de todos, pois aquele era, sem dúvida, o momento mais aguardado do dia.

Então veio a grande revelação. A escoteira Isabella Neves Limana conquistou a tão sonhada Lis de Ouro. A emoção tomou conta do ambiente de forma imediata. Em uma surpresa preparada com muito carinho, seus pais estavam presentes e se aproximaram discretamente, tornando aquele instante ainda mais inesquecível. Ao perceber o que estava acontecendo, Isa, como é carinhosamente chamada, foi tomada por uma alegria contagiante, não conseguia conter a emoção, pulava, sorria e, ao segurar as mãos da chefe, demonstrava toda a felicidade de quem alcançou um sonho construído com muito empenho.

A chefia, visivelmente emocionada, destacou a linda trajetória da jovem dentro do movimento, lembrando de seus desafios, conquistas e crescimento ao longo dos anos. O chefe Coca a acolheu em um abraço sincero, a chefe Cláudia também expressou seu orgulho, e até seu pai teve a oportunidade de falar, ressaltando a importância daquele momento e incentivando outros jovens a também buscarem seus objetivos dentro do escotismo. Foi um instante de união, reconhecimento e muito sentimento compartilhado.

Ao fazer uso da palavra, Isa agradeceu profundamente a todos que fizeram parte de sua caminhada, chefes, colegas de tropa e sua família, reconhecendo que nada disso seria possível sem esse apoio. Também destacou o peso e a responsabilidade de carregar a Lis de Ouro, compreendendo o significado dessa conquista dentro do movimento. Receber essa insígnia é uma das maiores realizações no escotismo, comparável a uma medalha olímpica, e representa não apenas uma vitória individual, mas o reflexo de todo um grupo que cresce junto. O Grupo Escoteiro Caetés celebra com orgulho essa conquista tão especial, que certamente ficará marcada para sempre em sua história e na memória de todos que puderam vivenciar esse momento tão emocionante.

Encerramos nossa atividade com a tradicional cerimônia da bandeira, mais do que encerrar uma programação, este foi o fechamento de uma celebração carregada de significado, história e gratidão. O Grupo Escoteiro Caetés expressa seu mais sincero agradecimento a todos que fizeram parte dessa caminhada, aos chefes e dirigentes, que com dedicação e espírito voluntário constroem diariamente um ambiente de aprendizado e valores, aos pais e familiares, que confiam, apoiam e caminham junto conosco, aos jovens, que são a razão de tudo isso existir, e a cada pessoa que, de alguma forma, contribuiu para que este momento se tornasse possível.

Celebrar mais um ano de história é reconhecer o esforço de todos que vieram antes de nós e também renovar o compromisso com aqueles que ainda virão. São 89 anos de memórias, conquistas, desafios superados e, acima de tudo, de formação de cidadãos comprometidos com um mundo melhor. Que possamos seguir firmes nesse propósito, mantendo viva a chama do escotismo em nossos corações e honrando o legado construído ao longo de tantas gerações.

Que venham os 90 anos, com ainda mais histórias para contar, aprendizados para viver e sonhos para realizar. Sempre Alerta para Servir o Melhor Possível.

27 de abr. de 2026

Entre Nós Diário 04 | Acantonamento celebrativo, liderar e cooperar (Parte 1)

No dia 25, participei do acampamento/acantonamento em comemoração aos 89 anos do nosso grupo. Chegamos por volta das 9h25 no parque de exposições da cidade, e às 10h já estávamos formados para a cerimônia de bandeira, dando início oficial às atividades. Enquanto nós, do ramo sênior, tivemos uma conversa com os chefes sobre um item de progressão, os escoteiros participaram de atividades de cooperação com o Chefe Coca — eu até tentei ajudar, mas a tropa escoteira não é fácil rsrs — e os lobinhos seguiram com sua própria programação.

Após o almoço, a programação ganhou ainda mais movimento. Fomos divididos em cinco “patilhões”, e eu fiquei responsável como monitor de um deles. A partir daí começaram as atividades principais, todas voltadas para cooperação, criatividade e raciocínio. Tivemos desafios como construir um troféu usando pioneiria e elementos da natureza, andar com o pé atado ao de um companheiro, procurar itens específicos no ambiente, registrar momentos com fotos, organizar acontecimentos do nosso grupo em ordem cronológica e até decifrar códigos para encontrar chaves de cadeados, achei bem interessante as atividades.

Durante essas atividades, tentei ao máximo organizar meu patilhão, distribuindo tarefas de acordo com a capacidade de cada um. Nem tudo foi perfeito — alguns eram mais agitados e dificultavam um pouco a organização — mas ainda assim consegui fazer com que todos participassem de alguma forma. Foi uma experiência interessante de liderança, exigindo PACIÊNCIA, adaptação e controle da situação.

Mais tarde, retornamos ao pavilhão para o lanche. Fizemos uma oração, participamos de uma reflexão sobre os 89 anos do grupo Caetés, tiramos fotos e aproveitamos esse momento mais tranquilo. Depois disso, tivemos tempo livre: alguns foram tomar banho, — tomei na casa do Ch. Júnior pra poupar tempo rsrs — jogamos vôlei, colocamos música, e o clima geral foi de integração entre todos...

 Por Lorenzo Ferraz - Sênior da Tropa Charruas