A história da Tropa Sênior dos Escoteiros Caetés remonta ao início da década de 1960 e acompanha a própria evolução do Ramo Sênior no Brasil.
O surgimento do Ramo Sênior no Brasil
A criação da Tropa Sênior no Brasil ocorreu em 20 de novembro de 1945, no Rio de Janeiro. A primeira tropa do país foi fundada no Grupo Escoteiro Guilhermina Guinle, sediado no Fluminense Football Club, sob a direção de João Ribeiro dos Santos.
Na década de 1940, dirigentes do Fluminense Football Club solicitaram à União dos Escoteiros do Brasil (UEB) autorização para implantar, de forma experimental, um novo ramo inspirado em modelos internacionais, especialmente o dos Boy Scouts of America. A proposta foi oficializada pela UEB em 1946, criando uma divisão específica para jovens de 15 a 18 anos de idade (atualmente de 15 a 17 anos).
Inicialmente, o Ramo Sênior utilizava o mesmo sistema de progressão do Ramo Escoteiro. Apenas em 1975, com a realização do 1º Curso Avançado Sênior e a criação de uma comissão especializada da UEB, o programa passou a possuir identidade própria, voltada ao autoconhecimento, ao desenvolvimento da autonomia e à superação de desafios.
A primeira Tropa Sênior dos Caetés (1962)
Aos 21 dias do mês de março de 1962, às 14 horas, ocorreu a divisão oficial da Tropa de Escoteiros Caetés. A partir daquele momento, os jovens de 10 a 15 anos passaram a integrar a "Tropa de Escoteiros Juniores Caetés", enquanto os jovens acima de 15 anos passaram a compor a recém-criada "Tropa de Escoteiros Seniores Caetés".
Esta é considerada a data oficial de criação do Ramo Sênior no Grupo Escoteiro Caetés.
Conforme registrado na ata de fundação, foi escolhido como primeiro chefe da tropa o senhor Julio Cesar Moreira, natural de Porto Alegre e recém-chegado a São Luiz Gonzaga.
Na ocasião foram criadas duas patrulhas:
Patrulha Agulhas Negras
- Monitor: Sergio Hoehler
- Submonitor: João Muniz Gomes
- Patrulheiros:
- João Olívio Ferreira
- Sergio Quainz
- Ernani Queiroz
- Luiz Gustavo Schwabim
Patrulha Araguaia
- Monitor: Ernesto Orlando
- Submonitor: Luiz Mario Camara
- Patrulheiros:
- José Inacio Garcia
- Ernani Queiroz
- Francisco Alexandre Martins
- Justino Moreira
A ata registra ainda:
"Como 1ª atividade de campo, será realizado um acampamento da tropa no Rio Pirajú, próximo à pedreira. Assim tendo sido fundada a tropa de seniores que trabalhará com a tropa de escoteiros juniores, ambas as duas tropas constituirão um grupo, tendo como nome Grupo de Escoteiros Caetés, ficando para chefe do mesmo Daniel Fanti."
A reabertura da Tropa Sênior em 1987
Em maio de 1987, alguns escoteiros mais velhos foram separados da Tropa Escoteira para a abertura de uma nova Tropa Sênior.
Entre os dias 8 e 10 de maio daquele ano, foi realizado um Acampamento de Adestramento em uma fazenda no Caaró. Durante a atividade, oito jovens foram investidos no novo ramo.
O acampamento contou com a coordenação dos chefes Ivo José Bieger, Antônio Pizzuti e Fernando Lago.
Segundo o jornal da época:
"O adestramento, nos três dias, foi dirigido pelos chefes Ivo José Bieger, Antônio Pizzuti e Fernando Lago, tendo sido realizadas, além das atividades normais ao ar livre, instruções e prática de primeiros socorros; orientação com bússola e através de mapa; canoagem, com a fabricação de uma balsa com taquaras, amarras e lona plástica; pista com obstáculos e orientação por sinais escoteiros; palestra e participação em atividades religiosas no Santuário do Caaró."
A fundação oficial ocorreu em 28 de junho de 1987, na Chácara do Hospital, conhecida popularmente como Chácara das Freiras.
Na edição do jornal publicada na semana seguinte, foi registrada a cerimônia:
"Em solenidade realizada domingo de manhã na Chácara do Hospital, onde se realizava um acampamento de lobinhos, o Grupo de Escoteiros Caetés criou oficialmente sua tropa sênior, formada por escoteiros de 14 anos. Oito escoteiros foram investidos nesse grupo. Desta forma, o Grupo de Escoteiros Caetés, desta cidade, tem as categorias lobinho, escoteiro e sênior."
A nova tropa também recebeu uma mensagem especial do Bispo Dom Estanislau Kreutz:
"Ao Grupo de Escoteiros Caetés de São Luiz Gonzaga: ao celebrarmos os 300 anos de São Luiz, meus cumprimentos e votos que sejam exitosos na construção de uma sociedade justa e fraterna, através do cultivo de sadias amizades e das faculdades com que Deus, o Criador, os premiou."
A Tropa Sênior Saicã (2003)
Em 2003, a Tropa Sênior foi novamente reativada, agora recebendo o nome de Tropa Sênior Saicã.
Naquele período existia uma única patrulha, denominada K2.
O nome "Saicã" foi inspirado no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB), conhecido popularmente como Campo do Saicã, localizado em Rosário do Sul/RS. Trata-se da maior área de treinamento e adestramento do Exército Brasileiro na América Latina, com mais de 100 mil hectares destinados a exercícios militares.
O grito de tropa desta época ficou marcado na memória de muitos participantes:
"E a Tropa Sênior ataca, massacra, impõe seu valor, não tem medo da morte, ao inimigo causa dor. Tropa Sênior! Tropa Sênior! Tropa Sênior! Sênior Saicã!"
O retorno dos Caetés e o nascimento dos Charruas (2013)
Em 2011, o Grupo Escoteiro Caetés foi reativado. Entretanto, ainda não havia jovens em idade para compor uma Tropa Sênior.
As primeiras passagens ocorreram em 27 de maio de 2013, destacando-se a jovem Milena Golz Flores, que se tornou uma das fundadoras da nova Tropa Sênior/Guia Charruas.
O novo nome foi escolhido para reforçar a identidade regional do grupo e estabelecer uma ligação com a Tropa Escoteira Guerreiros de Sepé.
Os Charruas foram um povo indígena guerreiro e nômade dos Pampas, ocupando territórios do atual Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul. Ficaram conhecidos pela habilidade como cavaleiros e pela resistência à colonização espanhola.
O grito de tropa era:
"Somos índios guerreiros, da saga Guarani. Agente Charruas seguindo até o fim. Sem medo do perigo, atrás de aventura. Tropa Charrua! Tropa Charrua!"
Os chefes desta fase foram:
- Junior Castro Bieger
- José Antônio Pizzuti
- João Inácio Bieger
- Jean Michel Bretschneider Ferreira
- Agilson Avila da Cruz
- Luciano da Rosa Canabarro
- Edmar de Lima Messa Junior
A primeira patrulha criada foi a Centaurus, cujo grito era:
"Patrulha forte, é tipo furacão. Massacra onde passa. É a Centaurus em ação! Patrulha Centaurus! Sempre Alerta!"
Posteriormente foram criadas também as patrulhas Pegasus e Atos.
Foi neste período que o Grupo voltou a conquistar a mais alta insígnia do ramo: a Guia Milena Golz Flores tornou-se Escoteira da Pátria.
O Escoteiro da Pátria durante a pandemia
Durante a pandemia da COVID-19, o sênior Pedro Francisco Bittencourt Schneider conquistou a insígnia Escoteiro da Pátria.
A Corte de Honra realizada virtualmente registrou em ata:
"São Luiz Gonzaga, 03 de junho de dois mil e vinte. Neste dia, em reunião feita pela internet, a Tropa Sênior Charruas se reuniu para discutir e validar o distintivo especial do ramo sênior Escoteiro da Pátria para o Sênior Pedro Francisco Bittencourt Schneider, que concluiu todas as atividades previstas. A concessão do distintivo foi unânime, sendo aceita por todos da tropa."
A retomada pós-pandemia (2023)
Com o retorno das atividades presenciais em 2023, a Tropa Charruas foi novamente reativada.
Foram criadas as patrulhas Madagascar e Everest.
Os integrantes da futura Patrulha Everest inicialmente desejavam adotar o nome "Ravina", mas acabaram escolhendo o nome da montanha mais alta do mundo.
Grito da Patrulha Madagascar
"Cercados pelo mar, nada vai nos parar, unidos e fortes, Sempre Alerta ao chamar. Patrulha Madagascar! Sempre Alerta!"
Grito da Patrulha Everest
"A escalada é difícil, sem medo do perigo. Patrulha Everest estaremos unidos. No sol, na neve, nossa força prevalecer. Conquistando as estrelas no pico, só Everest! Patulha; Everest; Everest; Sempre Alerta!"
Os chefes desta fase foram:
- Edmar de Lima Messa Junior
- Simone Ferraz Messa
- Rodrigo Damaceno Nunes
A Tropa Charruas atualmente
Atualmente a Tropa conta com a Patrulha Madagascar e possui a intenção de abrir uma nova patrulha denominada Minuano.
O grito de tropa atual é:
"Nação!
Charruas!
Tropa! Sênior!
Nação! Charruas!
Tropa! Guia!
Caça,
ataca, impõe o seu valor,
não tem medo da morte,
a tropa é o próprio terror!
Tropa
Sênior tá ativa,
Tropa Sênior é demais!
Tropa Sênior foi a cavalo,
foi caçar o Satanás!
O pampa é
minha casa,
somos Charruas Caetés,
quem mexe com a tropa
vai sentir a força dos pajés!"
A tropa também possui atualmente um bandeirão medindo aproximadamente dois metros por um metro.
Este bandeirão faz parte das cerimônias de recepção dos novos integrantes. Durante a passagem da Tropa Escoteira para a Tropa Sênior, o jovem é convidado a rolar sobre a bandeira, em uma brincadeira simbólica conhecida como "tirar a nhaca da Tropa Escoteira". O objetivo é fortalecer a identidade do novo integrante dentro da Tropa Sênior.
Quando o jovem sai da Tropa para o Ramo Pioneiro, ele assina o bandeirão, que nunca será lavado, justamente para preservar as marcas e assinaturas de todos que passaram pela tropa, tornando-se um registro vivo de sua história.
Os chefes desta fase foram ou são:
- Edmar de Lima Messa Junior (Antigo chefe de Tropa até 2025)
- Simone Ferraz Messa
- Rodrigo Damaceno Nunes
- Junara da Rosa Canabarro Nunes (Eventualmente)
- Junior Castro Bieger (Atual chefe de Tropa 2026)
- Bruna Amaral da Costa
Quem fez parte desta história
Ao longo de sua trajetória, a Tropa Sênior dos Caetés contou com dezenas de jovens e adultos que ajudaram a construir sua história. Seus registros incluem:
Agilson Avila da Cruz, Alan Garcia, Anderson Henrique Dewes Marques, Anna Laura Bianchini Oliveira, Antônio Pizzuti, Artur Bernardo Vaz, Bernardo Pizzuti Canabarro, Betania Santos da Rosa, Bruna Amaral da Costa, Bruno Bordone Borges, Camilo André Santos Barbosa, Carlos Savio Urach de Matos, Christian Rost Vieira, Cleidson da Silva Nascimento, Edmar de Lima Messa Junior, Emilly Machado Garcia, Ernani Queiroz, Ernesto Orlando, Everton Rodrigues Machado, Fábio Pires Santolin, Felipe Alido Schmidt, Fernando Gomes Riet, Fernando Lago, Francisco Alexandre Martins, Gabriel Espíndola Rebolho, Gabriela Weber Souza, Guilherme Santos Scherf, Gustavo Ramos Schons, Gustavo Rodrigues Diel, Gustavo Wolff Barili, Henrique Prestes Dorneles, Isabela Santos Bernardo, Ivo José Bieger, Jardel Machado Vaz, Jean Michel Bretschneider Ferreira, João Muniz Gomes, João Olívio Ferreira, João Paulo Trevisan, João Pedro Canabarro Nunes, José Antônio Pizzuti, José Inacio Garcia, Julian Castro Bieger, Julio Cesar Moreira, Junior Castro Bieger, Junara da Rosa Canabarro Nunes, Justino Moreira, Lays Etiele do Prado Dorneles, Lenize Vaz de Avila, Leonardo Borba Brum, Leonardo Camargo Cavilhas, Leonardo Oster Piccoli, Lorenzo Ferraz da Silva, Luciano da Rosa Canabarro, Luiz Fernando Barragan Ferreira, Luiz Gustavo Schwabim, Luiz Henrique Guimarães de Miranda, Luiz Mario Camara, Magnon Rodrigues Thiniasso, Manoela dos Santos Bernardo, Marcio Gonçalves Ferreira, Mariana Venquiaruti Borba, Matheus Fraga Ferreira, Mathias Chaves de Ávila, Mauro Roberto Neto Leal, Milena Golz Flores, Nicolas Weber Belmonte, Pedro Francisco Bittencourt Schneider, Raíssa Golz Flores, Roberta Santos Bernardo, Rodrigo Brum Gabrício Junior, Rodrigo Damaceno Nunes, Salatiel Santos de Vargas, Sandra Regina Gonçalves Leal, Sávio Machado Vaz, Sergio Hoehler, Sergio Quainz, Simone Ferraz Messa, Tales Jean Lopes Correa, Tiago da Silva Machado, Vinicius Daninheimer Siquira, Vinícius de Castro Hubner e Wendel Finamor Silveira.
Fontes: Matérias do Jornal A Notícia, Atas do Grupo Escoteiro Caetés, Relatos Históricos de pessoas que viveram na época e Site dos Escoteiros do Brasil.
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